Duas vértebras fraturadas, dor e suor: A luta de Moniqui para voltar a correr

Por Igor Christ
Rio de Janeiro

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Depois de sofrer uma queda boba em casa, que resultou em duas vértebras fraturadas, entre a lombar e o cóccix, Moniqui Agnes, de 37 anos, ouviu do médico que deveria suspender toda a programação para os próximos dois meses, pois sairia do hospital na cadeiras de rodas. Ela estava em fase intensa de preparação naquela época e o acidente a afastou dos treinamentos de corrida.

– Era necessário respeitar o período de lesão e os limites do meu corpo. Eu criei uma estratégia para manter a mente equilibrada e 100% focada no pensamento positivo. Por morar sozinha, foi essencial fazer um plano de guerra motivacional. Todos os dias, ao acordar, me perguntava: “O que te motiva? Faça acontecer!” – destacou Moniqui.

Ativa e determinada, a paulista botou em prática o plano que havia elaborado como profissional da área de coaching em fitness. A “Operação Fora Mimimi” viraria o seu mantra. Fez exercícios de respiração para o abdômen e pediu a um amigo e professor de pilates treinos para se fazer em casa.

– Afastei os móveis da sala e fazia no chão mesmo, diariamente. Mesmo ouvindo alguns amigos me dizerem que eu estava me cobrando demais e deveria aproveitar esse período para “relaxar”, mantive minha rotina de horários de treinos, mas não ia para a academia e treinava em casa. A alimentação também contribuiu na evolução da recuperação – lembrou.
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Quando o ortopedista a liberou para fazer musculação, Moniqui pediu para praticar atividades aquáticas que não tinham impacto. Por ter medo de ficar com o rosto dentro da água da piscina, a natação virou uma oportunidade de superar esse trauma. Mas a paixão pela corrida falou mais alto menos de três meses depois do acidente. O médico a deixou caminhar numa prova de rua.

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– Queria tanto ir e sabia que sentiria dor, mas fui assim mesmo. Levei a cadeira de rodas como símbolo do fim da primeira fase da reabilitação, pois poderia andar sem elas e as muletas. Sabia que iria estimular as pessoas a não desistirem dos seus sonhos. No primeiro quilômetro, senti as dores previstas, mas terminei os 8km andando em 1h41m. Foi uma loucura gratificante – contou.

Mesmo com a fratura consolidada, Moniqui iria sentir os incômodos por pelo menos oito meses e que precisaria conviver com isso e se adaptar. Querendo voltar a correr, mas sem impacto, ela passou a treinar dentro da piscina, com o “deep running”, em formato de circuito.

– Isso garantiu meu condicionamento físico e resgatou minha resistência preservando a região lesionada. Antes da queda, eu fazia musculação, yoga, treino funcional, muay thai, corrida e bike. Agora pratico yoga, natação e alongamento. Tudo com acompanhamento profissional e de forma responsável – frisou a multiatleta.

A volta oficial nas corridas foi sete meses depois dela se lesionar. A ansiedade para mais uma prova de 8km era imensa. A meta era concluir o percurso em 42 minutos. Será que conseguiu?

– Sabia que toda minha dedicação valeria cada momento desta prova. Contei com a ajuda de um amigo para me acompanhar no último quilômetro e fechei a corrida em 41m11s. Foi um momento importante, pois estava evoluindo. Pretendo correr 10km em 46 minutos ainda este ano – afirmou.

Moniqui ainda sente dores, pois a região afetada pela queda atingiu o nervo ciático e passa para suas pernas. Mas com o tempo e os treinos adequados, elas estão diminuindo gradativamente.

– Tenho sido vista por pessoas que amam esporte e buscam uma vida com mais qualidade e me olham como referência de superação e inspiração. Quero estimular as pessoas a buscarem uma evolução diária e consciente. Podemos chegar a qualquer lugar e ir além do que se imagina. Não adianta ficar em casa reclamando da vida, pois ela está aí e precisamos ser positivos – encerrou.

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