Copa São Paulo de Júniores – É a solução para a crise do futebol brasileiro?

No início de toda temporada do futebol brasileiro, a expectativa de todos é sempre positiva, e a imprensa esportiva se anima, com a realização da Copa São Paulo de Juniores. O importante torneio do começo da temporada, está na sua 47 edição, e esta tradição demonstra o quanto é importante para os clubes o investimento nas categorias de base. Afinal de contas, o tradicional torneio de início de ano, já revelou craques como Careca, Dida, Dener, Toninho Cerezo, Falcão, Fred, Kaká e Neymar para o futebol brasileiro.

O investimento nas categorias de base, bem como a atenção especial dos grandes clubes à garotada, sempre foi pauta na imprensa esportiva. Mas essa máxima se intensificou após o mês de julho de 2014, tragicamente emblemático para o futebol brasileiro. Depois daquele fatídico 8 de julho, em que a Seleção Brasileira foi goleada por 7 a 1, em pleno Mineirão para a Seleção da Alemanha, o futebol nacional não foi mais visto com os olhos de outrora. E de lá para cá, a Seleção Brasileira também não convenceu, apesar da tradicional mudança de treinador após a derrota na Copa do Mundo.

O Brasil fora eliminado da Copa América apresentando um futebol nada convincente, altamente dependente de um único jogador – Neymar- o melhor jogador brasileiro na atualidade, que disputará com Messi e Cristiano Ronaldo, o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA, no ano de 2015. Entretanto, se levarmos em consideração somente os clubes, em especial os maiores do país, os mesmos não revelam mais grandes jogadores. As boas equipes formadas atualmente são baseadas nas contratações, e até por conta disso, os clubes vivem à mercê dos empresários da bola.

Na tentativa de obter explicações para o atual momento por qual passa o combalido futebol brasileiro, o JOGO EM PAUTA procurou alguns personagens do mundo da bola, para que esses também auxiliem o torcedor a entender esse complicado momento por quais passam os clubes. Ao passo que a falta de dinheiro em caixa, leva os clubes a venderem seus principais jogadores para o mercado asiático – pouco atrativo em termos de técnica e tática, mas em compensação, altamente lucrativo nos aspectos monetários; temos uma Taça São Paulo com 104 equipes na disputa. Será que diante disso, é possível obter alguma qualidade?

O experiente goleiro Tom, que defendeu a Portuguesa de Desportos, tradicional clube do futebol paulista opinou sobre o tema.

“A garotada tem que aproveitar o momento da Taça São Paulo, porque é o primeiro momento que o atleta tem contato com a torcida, com a imprensa, com estádios lotados, enfim, é aí que você se sente um profissional de verdade”; explicou o goleiro.

Tom ainda ressaltou que é preciso que o atleta tenha uma boa performance na Taça São Paulo, principalmente para os jogadores do sub-19.

“Os dirigentes acompanham muito essa competição, e é nesse momento que o atleta pode subir para a categoria profissional, obtendo uma transferência para um clube grande do país ou até mesmo do exterior”; explicou o ex-goleiro da Portuguesa, que ainda não tem o seu futuro definido para a temporada 2016.

O goleiro ainda citou um bom exemplo de um atleta que saiu da base da Portuguesa diretamente para um clube do exterior.

“A Portuguesa revelou um zagueiro, que jogou a Copa São Paulo comigo, em 2010, com o nosso time chegando às quartas-de-finais da competição. Esse zagueiro, chama-se Lucas Silva, hoje está no Japão, mas na época saiu direto da Portuguesa para jogar no Bayer Leverkusen da Alemanha”; explicou o ex-goleiro da Lusa. Tom ressaltou que, na época, Lucas Silva nem sequer tinha contrato assinado com a Portuguesa.

Em relação ao assédio do futebol da chinês aos jogadores brasileiros, o atual goleiro do ASA encara o fato com naturalidade, porque os jogadores que estão começando, assim como os outros, querem fazer a sua independência financeira “Em um ano de salário jogando no futebol chinês, provavelmente você levaria vários anos jogando aqui no Brasil para conseguir em salários e premiações a mesma quantia, por isso é difícil para o clube brasileiro manter o jogador”; explicou Tom.

Por isso, o goleiro se sente orgulhoso e gratificado com esse assédio.

“Um país tão distante despertar reconhecimento, que ainda existe, a despeito dos 7 a 1 no futebol brasileiro, não deixa de ser um orgulho.”; justificou o goleiro.

Tom ainda ressaltou que é muito difícil recusar uma proposta dessa, e que se recebesse proposta também iria sem pensar duas vezes.

“É uma transferência que resolveria além da sua vida financeira, de seus filhos, netos e bisnetos. Aceitaria na hora”; explicou Tom

Os clubes também tem de conviver com esse assédio não somente de empresários, bem como das equipes do exterior, que oferecem melhores condições financeiras aos atletas.

Vinicius Silveira revelado pelo Santo André, clube do ABC paulista. O jovem jogador, assim como os demais atletas, não vê problemas, principalmente em relação aos aspectos táticos e técnicos em jogadores brasileiros partirem para trabalhar no futebol chinês.

“A China está sendo um mercado bem visado para nós jogadores, é um futebol moderno que vai te dar uma renda boa” afirmou Vinícius. O meia disse que a China é um bom mercado e também não hesitaria se recebesse uma proposta. “Sem dúvida alguma, eu iria sim”; falou o jogador

Evidentemente que o futebol brasileiro precisa se reestruturar nos aspectos técnicos, táticos, e principalmente fora de campo. As categorias de base precisam ser trabalhadas com mais profissionalismo, até para que os clubes possam ter alternativas ao assédio dos clubes, sejam eles europeus ou asiáticos. Por isso, a Copa São Paulo de Futebol Júnior é tão importante para os clubes brasileiros.

Por Ivan Marconato

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