Beisebol busca inspiração na bola oval

por   Marcelo Argachoy

 

Antigamente classificado como esporte restrito à colônia japonesa, o beisebol hoje briga para se livrar do rótulo e se desenvolver no Brasil. Para isso, outra modalidade muito popular nos Estados Unidos serve de inspiração: o futebol americano.

Aos moldes da São Paulo Football League (uma competição independente), a Liga São Paulo de Beisebol se espelha no sucesso do esporte da bola oval no País e já comemora parcerias com as equipes. “Temos que copiar quem deu certo”, comenta José Roberto Vilas Boas, presidente do São Bernardo Beisebol Clube e que também está à frente da liga.

Segundo o dirigente, a união ajuda a fortalecer a modalidade. “Quem pratica e gosta do futebol americano enxerga o beisebol como esporte norte-americano mesmo, eles sabem a diferença. Fica fácil conversar e fazer parceria por causa disso”, diz Vilas Boas. Um destes casos é o Santos Tsunami, que já tem seu próprio time na liga de beisebol.

O exemplo do Peixe ao abraçar os esportes norte-americanos é uma tendência entre os clubes de futebol, inclusive os do Grande ABC. Após se juntar ao São Bernardo FC no ano passado, a equipe de beisebol agora busca outro parceiro. “Já existem conversas com o Corinthians Steamrollers, o Palmeiras Locomotives e a Ponte Preta Gorilas”, conta Vilas Boas.

 

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Superar a barreira cultural é um dos principais obstáculos do beisebol. O presidente do São Bernardo garante que o estereótipo de que apenas descendentes de japoneses jogam está ultrapassado. “Nas categorias de base isso ainda existe mas, a partir do sub-15, quase 90% das equipes não possuem nenhum japonês”, afirma. “Era assim até uns 15 anos atrás. Esta é uma das diferenças que temos para o futebol americano, eles não tiveram de quebrar esse paradigma”, explica.

A Liga São Paulo de Beisebol conta com dez equipes, sendo que o São Bernardo é a única da região. Em 2018, os times de futebol americano Mauá Vikings e São Caetano Blue Birds devem se juntar à competição. “Participamos até de simpósios e palestras com clubes de futebol de salão para termos uma gestão mais profissional do beisebol”, declara o mandatário da liga.

Assim como no esporte da bola oval, o preço dos equipamentos para a prática da modalidade é um dos principais obstáculos. Um taco e uma luva, juntos, dificilmente custam menos que R$ 400. Os espaços para a prática do esporte também são poucos. Diferentemente do futebol americano, o beisebol requer um campo – conhecido como diamante – de dimensões bem maiores.

“A divulgação também é falha. O Brasil é a 15ª maior potência do esporte, mas aqui ainda sofremos com a cultura de que só importa ser campeão. Nosso feito é enorme, ainda mais considerando as dificuldades da modalidade”, exalta Vilas Boas.

Brasileiros, como Yan Gomes e Paulo Orlando, já representam o País na principal liga de beisebol dos Estados Unidos, a Major League Baseball. Além deles, o jovem arremessador Eric Pardinho, 16 anos, saiu do Interior de São Paulo para assinar contrato milionário– com previsão de bônus de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 4,7 milhões) – com o Toronto Blue Jays para disputar liga norte-americana.

Clube passa por reformulação
No cenário nacional, o São Bernardo Beisebol Clube se coloca em posição de destaque, principalmente nas categorias de base. Completando 30 anos em 2017, o time possui mais de 30 títulos nas divisões para idades inferiores, entre troféus nacionais e estaduais. A equipe adulta ainda não levantou taça, mas a expectativa é boa. “Estamos evoluindo a cada partida”, diz o técnico Felipe Lima.

O treinador é o símbolo da fase de reconstrução que o São Bernardo Beisebol Clube passa. Após servir à base do time nos anos 1990, ele retornou neste ano para comandar a reformulação do clube, que busca deixar de ser um “celeiro de jogadores para as outras equipes”.

“No ano passado, nós tínhamos um time competitivo”, disse o presidente José Roberto Vilas Boas. “Em 2017, passamos por reciclagem, queremos formar atletas para nós próprios.”

O São Bernardo está licenciado das competições da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, mas promete retornar no ano que vem. “O time está completamente reestruturado, temos vários jogadores novos, desde crianças de 12 anos nas categorias de base, como pessoas acima dos 40 que querem iniciar na modalidade”, declara o treinador.

Apesar da falta de divulgação, o beisebol se trata de esporte simples de se aprender. “Apenas no caso do arremessador há alguma dificuldade, porque são várias formas de se pegar na bola que afetam a trajetória”, conta. “É um esporte muito democrático. Não importa o biotipo da pessoa, sempre existe posição em que ela pode se encaixar”, diz Lima.

fonte:  DGABC

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