Brasileira que Brilha No Exterior

 

gABI             Patrícia Deud

 

Hoje  o STI traz uma matéria especial com uma atleta Curitibana , que deixou sua cidade  aos cinco anos ,passou pela Escola de Talentos de Nova Trento /SC , Estudou e jogou nos Estados Unidos,  na equipe de Georgia Tech treinada pela técnica Michelle Collier  ,recebeu uma bela homenagem e está preparando seu passaporte Italiano para a sua próxima temporada na Itália.

Ela é :

Gabriela Stavnetchei

Data de Nascimento: 01/07/1996

Posição : Ponteira

Vamos à entrevista:

 

Com que idade se apaixonou pelo voleibol?

Minha família sempre foi apaixonada por esportes, então desde que eu me lembre, o esporte fez parte da minha vida.

Eu amava assistir os jogos da seleção na TV então decidi que queria jogar também.

Aos 9 anos comecei a fazer escolinha de vôlei na Astel, um clube perto da minha casa.

A escolinha aceitava somente crianças acima de 10 anos, mas por que minha mãe conhecia o professor eles aceitaram que eu participasse das aulas mesmo não tendo a idade mínima.

E foi assim que me apaixonei pelo esporte, assistindo e jogando.

Como você chegou o projeto de Nova Trento?

Nova Trento sempre esteve no topo do voleibol catarinense, e já havia tido a oportunidade de ter ido jogar lá antes, mas como eu era muito nova e os estudos ainda eram uma prioridade para mim, meus pais e eu decidimos que era melhor eu ficar em Florianópolis e continuar estudando na escola onde estudava.

No meu segundo ano do ensino médio, eu decidi que eu iria para os EUA para estudar e jogar lá. Quando eu decidi que fazer vestibular não era parte dos meus planos, e que estudar inglês e treinar eram minhas prioridades eu decidi que ir para Nova Trento seria uma ótima oportunidade para mim por que estaria jogando em um alto nível e teria mais tempo pra estudar inglês.

Tomei essa decisão depois de um mês e meio que as aulas já tinham começado e os treinos também.

O Marcelo Garin era o técnico do time máster onde minha mãe jogava em Florianópolis, antes de assumir em Nova Trento. Minha mãe ligou pra ele e perguntou se eu poderia me juntar ao time, mesmo sendo depois dos treinos e das aulas já terem iniciados. Tanto a Vandeca quanto o Marcelo ficaram muito contentes com a ligação e imediatamente começaram a trabalhar no processo da minha transferência.

A Vandeca Tomasoni e o Marcelo Garin são profissionais excelentes ,o que de melhor aprendeu com eles ?

 

Eu tenho muito carinho pelos dois, são pessoas e profissionais exemplares e sou muito grata por ter tido a oportunidade de ser atleta deles.

Aprendi muito com os dois, tanto dentro quanto fora de quadra. Quem conhece a Vandeca sabe da paixão e determinação dela quando o assunto é o projeto de vôlei em Nova Trento, diante de todos os obstáculos que é o esporte de base no Brasil, ela nunca desiste, nunca abaixa a cabeça e nunca deixa de fazer tudo com um sorriso no rosto.

E vendo todo esse esforço e o resultado de tudo que ela faz, com certeza, me ensinou muito sobre trabalhar duro e alcançar seus objetos, quando queremos alguma coisa, tem sempre um jeito pra fazer acontecer.

O Marcelo me ensinou muito tecnicamente e, com certeza, ajudou a elevar o meu voleibol.

Ele sempre foi um excelente técnico que sabia a hora de puxar, mas também sabia quando palavras de encorajamento eram mais bem-vindas. Ele me ensinou muito sobre confiança e liderança, ele permitiu que eu amadurecesse e crescesse muito em relação a isso. Sempre tivemos uma boa relação, e conversávamos muito.

Eu sempre respeitei muito ele e sua opinião, mas ele também sempre me respeitou, e por isso confiava muito nele, o que com certeza era perceptível em quadra.

 

Qual foi sua maior conquista no projeto?

Os jogos escolares brasileiros em 2013 foi a minha maior conquista com o projeto. Tínhamos um time muito bom naquele ano e fechar com esta conquista mostrava isso.

Você é ponteira, como foi definir sua posição?

 

Quando mais nova joguei como levantadora e algumas partidas como libero, mas logo cedo virei ponteira. Eu tinha facilidade com o passe e bastante controle de bola, e meus primeiros técnicos viam que eu tinha qualidades de uma ponteira.

 

Ir jogar nos Estados Unidos é a imensa oportunidade de estudar em uma ótima universidade, além de jogar em altíssimo nível e você aproveitou maravilhosamente bem fazendo os dois cursos: economia e relações internacionais, como espera aproveitar tudo o que agregou em sua vida futuramente?

A oportunidade que eu tive de ir jogar, como mencionado, em uma das melhores universidades do mundo, em um campeonato de alto nível e em uma das maiores cidades dos EUA, com certeza, teve muito impacto na minha vida e me abriu os olhos para outras oportunidades que nunca havia cogitado.

Eu nunca pensei em jogar vôlei profissionalmente, porém, eu evolui muito como jogadora enquanto estava na Georgia Tech, por uma serie de fatores como os profissionais envolvidos, a estrutura fornecida pela universidade, a parte física (nos EUA eles focam muito nessa questão, a academia e o condicionamento físico são muito pesados lá) mas também eu cresci e naturalmente o vôlei melhora com a idade. No brasil, jovens jogadoras têm que decidir se querem estudar ou tentar ser profissional no esporte com 16-17 anos.

E a realidade é que nesta idade, são poucos os que sabem o que querem fazer da vida, e a maioria, quando chegam aos 20 e poucos não são as mesmas jogadoras que eram nas categorias de bases. Ir para os EUA me abriu portas, e após ter me formado me deu a oportunidade de começar minha carreira na minha área de estudo ou de jogar vôlei profissionalmente.

Atualmente estou jogando na Itália, estamos durante a pré-temporada, então é muito cedo pra falar, mas por enquanto estou amando a experiência.

Não sei o que vou fazer no futuro, mas ter ido estudar e jogar nos EUA me abriu muitas portas, e não tem nada melhor do que ter opções.

Nos Estados Unidos não tem superliga como aqui no Brasil, depois que as atletas universitárias concluem a faculdade ,como elas continuam a jogar?

 

Exato, não tem superliga nos EUA, sinceramente, não entendo o motivo. Esporte nos EUA é muito valorizado, e o americano gosta de ir assistir e torcer. Basquetes, futebol americano e baseball, com certeza são suas preferencias, mas em 90% dos jogos que eu joguei as arquibancadas estavam lotadas.

O que me faze pensar que um investimento no voleibol profissional nos EUA ia gerar lucros e claro, promover o esporte.

As meninas que querem continuar jogando vôlei após se formarem tem que ir pra fora, muitas vão pra Europa, América Central ou Ásia.

 

Saiu uma matéria sobre o destaque da comissão técnica comandada pela sua técnica Michelle Collier, pernambucana que saiu do Brasil ainda jovem e foi fazer a diferença como jogadora em diversos países: Espanha, Portugal, Indonésia, Costa Rica, Chipre – além dos Estados Unidos ,como você a conheceu e quais as conquistas mais importantes que já teve treinando com ela?

Eu e a Michelle nos conhecemos através de uma empresa que foi contratada para me ajudar a encontrar uma universidade nos EUA que melhor se encaixasse com o meu nível. A empresa entrou em contato com a Michelle e mostrou vídeos com meus jogos. Ela se interessou e me fez uma proposta de ir jogar com ela. No entanto, quando decidi ir ela trabalhava em outra universidade, mas depois que ela recebeu a proposta para ser a técnica na Georgia Tech, ela me convidou pra ir pra lá também e eu aceitei, já que depois de pouco minutos de pesquisa percebi o quão especial era a Georgia Tech. Na NCAA não há tantos campeonatos quanto no brasil, praticamente jogamos um campeonato que dura em torno de 4 meses. Na Georgia Tech, tivemos vitorias importante contra alguns dos melhores times na NCAA e terminamos em terceiro no ACC que é uma conferência muito forte.

O quanto você evoluiu como pessoa morando fora do país e precisando buscar o seu melhor para conseguir seu espaço sem sua família perto de você?

Esse tempo fora pra mim foi muito bom pra eu amadurecer e criar independência. Sempre tive o suporte da minha família, mesmo estando longe, mas muitas coisas eles não podiam fazer por mim por causa da distancia. Tive que aprender a me virar, e resolver as coisas por mim mesmo, no começo não foi fácil, mas com o tempo fui aprendendo e gostando cada vez mais dessa independência. Morar fora de casa é difícil, e sendo em outro país, com uma língua e cultura diferente é mais ainda. Mas depois que me adaptei, tive uma enorme sensação de conquista, e minhas opções pro futuro se abrangeram; vi que tem muita coisa pra ser vista e vivida pelo mundo. E por isso hoje, o que eu quero no meu futuro, é poder viajar bastante.

Ser premiada ,homenageada e destaque em no cenário esportivo internacional é o reconhecimento de tudo o que você batalhou pra chegar até aqui, como foi pra você esta surpresa?

Durante esses 4 anos que estives na Georgia Tech, eu suei e ralei muito para melhorar cada dia e alcançar um nível de voleibol que eu sabia que podia alcançar.

Não tem sensação melhor do que ser reconhecido por algo que conquistamos, por algo que eu e outros profissionais investimos tanto tempo pra realizar.

 

Você pensa que quando o seu  trabalho é reconhecido  até aqui, é a sua maior inspiração na busca de outros grandes resultados ?

 

A motivação pra fazer um bom trabalho não deve ser o reconhecimento, por que se não, é fácil de perder o foco no caminho. Ter sido reconhecida pelo meu bom desempenho, com certeza, me incentiva a continuar me esforçando e ralando para alcançar meus objetivos, mas isso é independente de algum reconhecimento que venha ou não acontecer no futuro. Mas, quando damos o melhor em algo e persistimos naquilo, o reconhecimento acaba vindo.

 

 

O vôlei de base é a imensa estrutura do futuro do esporte, o que você gostaria de fazer pelas crianças que sonham em chegar onde você chegou?

O esporte é de muita importância na vida de uma criança, aprendi muito com o vôlei e como se pode ver minhas maiores conquistas e oportunidades foram possíveis por causa do esporte.

Ter o poder de escolher seu futuro é algo muito importante que eu gostaria que todas as crianças que estão no esporte de base, ou não, tivessem.

O esporte pode abrir muitas portas, mas tem que haver um maior cuidado e proteção ao futuro dessas crianças. Felizmente eu tive pais e técnicos que me protegeram e que buscavam o melhor pra mim, não só com atleta, mas como pessoa.

Muitas vezes jovens atletas que se destacam no esporte deixam de estudar muito cedo, ou são sobrecarregados nos treinos, ou são iludidos pelo dinheiro que pode vir com a carreira, e acabam tomando decisões que podem afetar o resto de suas vidas.

A carreira de atleta é uma carreira maravilhosa e muito gratificante, mas ela também é curta, às vezes, não é o que esperado, é muito cansativa fisicamente e mentalmente.

Em um mundo ideal, haveria um maior investimento no esporte de base, principalmente nas escolas, onde a criança seria encorajada a estudar e praticar o esporte.

O que permite que quando ela cresça, ela possa escolher sua paixão e sua carreira, sendo ela no esporte ou não.

Você é Curitibana ,consegue acompanhar a evolução do vôlei de sua cidade?

 

Eu me mudei pra Florianópolis com 5 anos, então minha infância toda e introdução ao vôlei foi lá. E, infelizmente, não venho acompanhando o vôlei em Florianópolis.

 

Qual o pensamento ou frase que motiva seus treinos e seus objetivos diariamente?

 

Eu sou muito competitiva, não gosto de perder ou de não ser boa nas coisas que eu faço. Quando tenho algum objetivo, na minha cabeça, a minha única opção é alcançá-lo, e simplesmente dou o melhor de mim e faço o que precisar fazer pra que eu alcance esse objetivo.

É uma questão de ter bastante foco e determinação, coisas, que como atleta, aprendemos e que serve de base para muitas das coisas que fazemos na vida além do esporte.

Seus agradecimentos: como quiser e pra quem quiser, fique à vontade.

 

Todas as minhas conquistas até agora são resultado de muita determinação. Mas eu não teria chegado onde eu cheguei sem as pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida.

Minha família sempre me apoiou muito em todas as minhas escolhas; eles sempre me deram suporte e sempre ajudaram no que era preciso.

Eu também tive a oportunidade de trabalhar com excelentes profissionais no vôlei que sempre me puxaram e me tornaram em uma melhor jogadora.

E claro, não conseguiria fazer tudo sem meus amigos e colegas de equipe que sempre estiveram do meu lado nas horas boas e ruins, e que eu sei que sempre posso contar.

Poderia citar nomes, mas tem tantas pessoas que foram importantes nessa minha jornada que a lista ia ficar muito grande. Para minha família, amigos, colegas de equipe e profissionais que fizeram parte da minha vida, muito obrigada, não teria conseguido sem vocês.

Sobre a atleta ,o técnico Marcelo Garim deixou a seguinte declaração:

“Eu a trouxe de Florianópolis comigo, trabalhamos em 2013 e 2014 comigo,foi campeã brasileira escolar,campeã dos joguinhos,campeã estadual,a partir daí sua transferência para os Estados Unidos.

Um orgulho enorme,uma menina com esta trajetória” .

A Escola de Talentos de Nova Trento sempre estará acompanhando a carreira da atleta,torcendo pelo futuro e sucesso ,por todo o carinho que a escola tem pelas meninas que lá passam e pelo orgulho dela ter alcançado o que tanto sonhou.

O Site STI  agradece imensamente à Gabriela pela atenção dedicada à esta entrevista ,sendo que está em preparação de viagem para a Itália ,deseja sucesso à atleta em seu futuro profissional no cenário esportivo internacional.

 

 

 

 

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